{"id":825,"date":"2013-05-23T11:22:05","date_gmt":"2013-05-23T14:22:05","guid":{"rendered":"http:\/\/siquirj.com.br\/?p=825"},"modified":"2013-05-23T11:22:05","modified_gmt":"2013-05-23T14:22:05","slug":"empresas-adiam-os-investimentos-e-esperam-retomada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/siquirj.com.br\/site2013\/empresas-adiam-os-investimentos-e-esperam-retomada\/","title":{"rendered":"Empresas adiam os investimentos e esperam retomada"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Por Yan Boechat<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A ind\u00fastria qu\u00edmica brasileira vive um momento peculiar. Enquanto assiste a um crescimento vigoroso e cont\u00ednuo da demanda por seus produtos, n\u00e3o h\u00e1 o que fa\u00e7a o setor ter apetite para tirar do papel os investimentos necess\u00e1rios para ampliar a oferta &#8211; nem mesmo o cr\u00e9dito farto e barato prometido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social para esse importante segmento da ind\u00fastria brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Como resultado dessa equa\u00e7\u00e3o mal resolvida, o pa\u00eds assiste a uma invas\u00e3o de produtos importados, que, no ano passado, atingiu a marca hist\u00f3rica de R$ 28 bilh\u00f5es, o equivalente a quase uma vez e meia todo o saldo da balan\u00e7a comercial brasileira em 2012. &#8220;Est\u00e1 tudo parado. Precisamos decidir se teremos uma ind\u00fastria forte em um setor t\u00e3o estrat\u00e9gico quanto o qu\u00edmico ou se nos tornaremos simplesmente um importador&#8221;, diz Fl\u00e1via Coviello, diretora de economia e estat\u00edstica da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria Qu\u00edmica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 h\u00e1 pouco mais de tr\u00eas anos, Fl\u00e1via e boa parte dos associados da Abiquim avistavam um horizonte bem menos sombrio para esse setor que vem perdendo participa\u00e7\u00e3o no PIB brasileiro desde 2004 &#8211; hoje ele representa cerca de 2,5% do Produto Interno Bruto do pa\u00eds, um ponto percentual a menos do que h\u00e1 oito anos. A expectativa era de que a crescente demanda por produtos qu\u00edmicos no Brasil faria a ind\u00fastria investir quase R$ 170 bilh\u00f5es entre 2010 e 2020 para ampliar sua oferta. Naquele ano, projetos de grande porte come\u00e7aram a ser desenhados e a perspectiva de fartura com o g\u00e1s natural proveniente do pr\u00e9-sal criou quase um euforia no setor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas havia uma pedra no caminho. A r\u00e1pida evolu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s n\u00e3o convencional, o g\u00e1s de xisto (ou shale gas), nos Estados Unidos, alterou de forma profunda os planos de investimento das principais empresas qu\u00edmicas, sejam elas de capital nacional, sejam de capital externo. Por conta disso, investimentos de cerca de R$ 11 bilh\u00f5es, que eram tidos como certos h\u00e1 dois anos, est\u00e3o em suspenso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A maior parte deles est\u00e1 concentrada nas obras do Complexo Petroqu\u00edmico do Rio de Janeiro, o Comperj. A Braskem, a maior empresa do setor, decidiu adiar para 2014 a decis\u00e3o de participar ou n\u00e3o do projeto em companhia da Petrobras. A estimativa do mercado \u00e9 de que apenas esse investimento consumiria algo como R$ 5 bilh\u00f5es. A Abiquim ainda avalia que outros R$ 2,7 bilh\u00f5es dever\u00e3o ser investidos no complexo se todos os projetos sa\u00edrem do papel. Carlos Fadigas, presidente da Braskem, afirmou que a companhia estuda retomar seus investimentos no Brasil. &#8220;Est\u00e1vamos pedindo medidas de incentivo ao governo. Com a desonera\u00e7\u00e3o do PIS\/Cofins, vamos fazer nossa parte&#8221;, disse ele ao Valor no in\u00edcio do m\u00eas, sem, no entanto, precisar datas ou valores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A Braskem espera, na verdade, que o governo garanta uma redu\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o do g\u00e1s natural para embarcar no projeto. Enquanto isso n\u00e3o acontece, a companhia vai para onde o g\u00e1s est\u00e1 mais barato: a Am\u00e9rica do Norte. No ano passado a Braskem anunciou investimentos de US$ 3,2 bilh\u00f5es em uma f\u00e1brica de etileno no M\u00e9xico, que ser\u00e1 inaugurada em 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem tamb\u00e9m decidiu segurar os planos foram a Dow e a Mitsui. As duas empresas optaram por adiar a segunda fase de investimentos na Santa Vit\u00f3ria A\u00e7\u00facar e \u00c1lcool, uma parceira das companhias na produ\u00e7\u00e3o de biopol\u00edmeros a partir da cana de a\u00e7\u00facar em Minas Gerais. O investimento seria de US$ 1 bilh\u00e3o e foi adiado porque a Dow decidiu concentrar seus esfor\u00e7os em regi\u00f5es onde h\u00e1 fartura de g\u00e1s natural a pre\u00e7os baixos, como nos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje a Abiquim estima que estejam sendo investidos em m\u00e9dia cerca de R$ 5 bilh\u00f5es ao ano no setor. \u00c9 dinheiro voltado para projetos que ainda est\u00e3o em execu\u00e7\u00e3o, a maior parte deles investimentos da Petrobras em novas plantas petroqu\u00edmicas. A exce\u00e7\u00e3o \u00e9 a Basf, que est\u00e1 investindo cerca de \u20ac 500 milh\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o do complexo de \u00c1cido Acr\u00edlico em Cama\u00e7ari (BA), o maior investimento da hist\u00f3ria da companhia no pa\u00eds e que deve entrar em opera\u00e7\u00e3o em 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 tamb\u00e9m uma boa parcela de recursos sendo aplicados em manuten\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o das unidades, sem necessariamente amplia\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c9 muito pouco. Para que consegu\u00edssemos reduzir o risco de desindustrializa\u00e7\u00e3o do setor seria preciso ao menos tr\u00eas vezes mais do que isso&#8221;, diz F\u00e1tima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro an\u00fancio de investimento novo no setor neste ano s\u00f3 ocorreu em mar\u00e7o, quando a alem\u00e3 Lanxess informou que colocaria R$ 200 milh\u00f5es em sua f\u00e1brica de Triunfo (RS). A companhia quer converter sua unidade para passar a produzir a borracha utilizada nos chamados &#8220;pneus verdes&#8221;, de alto desempenho. Hoje a f\u00e1brica de Triunfo s\u00f3 produz borracha para a fabrica\u00e7\u00e3o de pneus convencionais. &#8220;O Brasil \u00e9 considerado estrat\u00e9gico e est\u00e1 entre os mais importantes entre os emergentes&#8221;, disse ao Valor Werner Breuers, integrante do conselho de administra\u00e7\u00e3o da companhia durante o an\u00fancio do investimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do cen\u00e1rio pouco animador, h\u00e1 esperan\u00e7a de que a ind\u00fastria qu\u00edmica brasileira volte a ampliar sua capacidade de produ\u00e7\u00e3o. Boa parte desse otimismo est\u00e1 calcado na expectativa de fartura de g\u00e1s natural e petr\u00f3leo da camada pr\u00e9-sal. Se houver oferta de energia e mat\u00e9ria-prima a pre\u00e7os competitivos, acreditam especialistas do setor, os investimentos voltar\u00e3o com vigor. &#8220;Em 10 anos eu acredito que teremos um cen\u00e1rio completamente diferente&#8221;, diz F\u00e1tima Coviello, da Abiquim. &#8220;Com boa infraestrutura, g\u00e1s e nafta temos condi\u00e7\u00f5es de nos mantermos entre os maiores produtores do mundo no setor qu\u00edmico.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Yan Boechat A ind\u00fastria qu\u00edmica brasileira vive um momento peculiar. 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