{"id":816,"date":"2013-05-23T11:12:52","date_gmt":"2013-05-23T14:12:52","guid":{"rendered":"http:\/\/siquirj.com.br\/?p=816"},"modified":"2013-05-23T11:12:52","modified_gmt":"2013-05-23T14:12:52","slug":"desafio-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/siquirj.com.br\/site2013\/desafio-global\/","title":{"rendered":"Desafio global"},"content":{"rendered":"<p>Por Roberto Rockmann e Genilson Cezar | Para o Valor, de Bras\u00edlia<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O futuro da ind\u00fastria qu\u00edmica nacional, sexta maior do mundo, com receita de R$ 300 bilh\u00f5es anuais, est\u00e1 em xeque. Nos \u00faltimos 20 anos, o consumo de bens no setor aumentou 8% ao ano, mas boa parte desse crescimento decorre de importa\u00e7\u00f5es. De 1991 a 2012, a participa\u00e7\u00e3o de importados no mercado nacional cresceu de 7% para 30%, enquanto 533 linhas de produtos foram fechadas. O d\u00e9ficit do setor atingiu recordes US$ 28 bilh\u00f5es no ano passado. A perda de competitividade ocorre em um momento em que a ind\u00fastria qu\u00edmica dos Estados Unidos deve se consolidar como grande exportadora, beneficiada pela explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto, que derrubou os pre\u00e7os do insumo, que l\u00e1 chega a custar um quarto do pre\u00e7o no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar das amea\u00e7as externas, h\u00e1 oportunidades. O Brasil poder\u00e1 superar os desafios e utilizar as reservas do pr\u00e9-sal para recuperar a competitividade, agregar valor ao petr\u00f3leo nacional e alavancar a produ\u00e7\u00e3o do setor, que tem potencial para ser um dos cinco maiores do mundo. Para concretizar essa expans\u00e3o e destravar um ciclo de investimentos estimado em US$ 160 bilh\u00f5es para recuperar sua competitividade nos pr\u00f3ximos 15 anos, ser\u00e1 preciso construir uma pol\u00edtica industrial que una o setor privado e o governo federal, afirmaram empres\u00e1rios, pol\u00edticos e sindicalistas presentes ao semin\u00e1rio promovido pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria Qu\u00edmica (Abiquim) e pelo Valor, ter\u00e7a-feira, em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;A ind\u00fastria nacional est\u00e1 amea\u00e7ada pela entrada de produto pronto para concorrer com o nacional e com a competitividade do g\u00e1s de xisto nos Estados Unidos&#8221;, disse o presidente da Braskem, Carlos Fadigas. Para ele, o Brasil tem voca\u00e7\u00e3o para ser l\u00edder global no. Al\u00e9m de um mercado din\u00e2mico e de ser a sexta economia mundial, o pa\u00eds possui uma ind\u00fastria qu\u00edmica complexa, que tamb\u00e9m \u00e9 a sexta no planeta. A grande produ\u00e7\u00e3o no pa\u00eds de cana-de-a\u00e7\u00facar, a mais competitiva do mundo, posiciona o setor em um patamar diferenciado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qu\u00edmica verde e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de resinas sustent\u00e1veis, que come\u00e7am a ganhar espa\u00e7o. &#8220;E ainda teremos o pr\u00e9-sal, que dever\u00e1 aumentar a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo de dois milh\u00f5es de barris por dia para quatro milh\u00f5es at\u00e9 o fim da d\u00e9cada, o que deve tamb\u00e9m tornar a oferta de g\u00e1s mais abundante &#8220;, afirmou. A expectativa \u00e9 de que a oferta do insumo possa pular de 70 milh\u00f5es de m3 di\u00e1rios para 130 milh\u00f5es de m3, enquanto a capacidade de refino deve ter alta de 50%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Associado ao \u00f3leo a ser extra\u00eddo da camada de pr\u00e9-sal, existe g\u00e1s. Ter oferta firme do insumo a pre\u00e7os competitivos passa a ser essencial na equa\u00e7\u00e3o de competitividade do setor. &#8220;O pr\u00e9-sal traz grandes oportunidades para a ind\u00fastria&#8221;, destacou o presidente executivo da Abiquim, Fernando Figueiredo, que se reunir\u00e1 em breve com investidores alem\u00e3es para falar do potencial da ind\u00fastria nacional. &#8220;\u00c9 preciso buscar incentivos e diferenciais para o insumo&#8221;, defendeu o deputado federal (PPS-SP) Arnaldo Jardim, presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Infraestrutura. &#8220;Nos Estados Unidos, o pre\u00e7o do g\u00e1s de xisto provocou a recupera\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios setores, e a produ\u00e7\u00e3o de etileno est\u00e1 em 27 milh\u00f5es de toneladas e deve ter um acr\u00e9scimo de 11 milh\u00f5es nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos. No Brasil, a produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 em quatro milh\u00f5es. O jogo da sobreviv\u00eancia est\u00e1 sendo colocado na mesa&#8221;, afirmou Henri Slezynger, presidente do conselho diretor da Abiquim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o vice-presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), Jos\u00e9 de Freitas Mascarenhas, \u00e9 essencial trazer a Petrobras para a discuss\u00e3o do g\u00e1s no contexto da ind\u00fastria qu\u00edmica. Al\u00e9m de maior produtora de petr\u00f3leo e de g\u00e1s do Brasil, maior benefici\u00e1ria do aumento de produ\u00e7\u00e3o estimado com a explora\u00e7\u00e3o gradual do pr\u00e9-sal, a estatal de capital aberto possui o maior parque de refino do pa\u00eds e ainda det\u00e9m presen\u00e7a relevante na petroqu\u00edmica nacional, sendo uma das maiores acionistas da Braskem, maior produtora de resinas pl\u00e1sticas da Am\u00e9rica Latina e cujo maior acionista \u00e9 a Odebrecht. &#8220;\u00c9 preciso olhar a discuss\u00e3o com profundidade e ver os ganhos que esse g\u00e1s poder\u00e1 trazer para o Brasil, para a ind\u00fastria, que tem o melhor rendimento da economia nacional&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O presidente da Ag\u00eancia Brasileira do Desenvolvimento Industrial, Mauro Borges, afirmou que o setor vivencia hoje um momento de transi\u00e7\u00e3o. De um lado, a ind\u00fastria americana trabalha em um per\u00edodo auspicioso por conta da mat\u00e9ria-prima a pre\u00e7os mais baixos. Essa expans\u00e3o poder\u00e1 fazer com que o g\u00e1s de xisto se torne uma commodity at\u00e9 o in\u00edcio da pr\u00f3xima d\u00e9cada, podendo custar entre US$ 7 o milh\u00e3o de BTU a US$ 8 o milh\u00e3o de BTU. De outro lado, a oferta interna de g\u00e1s no Brasil dever\u00e1, at\u00e9 o fim da d\u00e9cada, aumentar com a explora\u00e7\u00e3o gradual do pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Temos esses sete anos de transi\u00e7\u00e3o para n\u00e3o esvaziar a ind\u00fastria qu\u00edmica, que ter\u00e1 no g\u00e1s uma mat\u00e9ria-prima essencial&#8221;, enfatizou. Al\u00e9m de estar atento \u00e0 quest\u00e3o do g\u00e1s natural, o governo est\u00e1 trabalhando em outras frentes. Em abril, por meio da Medida Provis\u00f3ria (MP) 613, a primeira e segunda gera\u00e7\u00f5es da petroqu\u00edmica nacional foram desoneradas de PIS e Cofins, o que aumentou a competitividade nacional. A medida foi elogiada pelos industriais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Poder\u00e3o vir outras medidas ao longo dos pr\u00f3ximos meses para estimular investimentos. Borges disse que o governo est\u00e1 com a minuta pronta para implementar o regime especial sobre investimento do setor, que poder\u00e1 suspender a cobran\u00e7a de IPI e de PIS\/Cofins sobre bens e servi\u00e7os usados em investimentos. A \u00fanica indefini\u00e7\u00e3o \u00e9 se a medida ir\u00e1 vigorar ainda esse ano ou se passar\u00e1 a valer a partir do in\u00edcio do pr\u00f3ximo ano. O martelo ser\u00e1 batido pelo Minist\u00e9rio da Fazenda, j\u00e1 que pressup\u00f5e ren\u00fancia fiscal. Outra medida em estudo \u00e9 um regime especial para incentivar a produ\u00e7\u00e3o e pesquisa de produtos qu\u00edmicos a partir de mat\u00e9ria-prima renov\u00e1vel. O governo est\u00e1 elaborando uma proposta sobre o assunto, mas a ideia \u00e9 de que ela seja finalizada no pr\u00f3ximo ano, quando um estudo do BNDES sobre a diversifica\u00e7\u00e3o do parque qu\u00edmico nacional dever\u00e1 estar conclu\u00eddo e tiver j\u00e1 sido debatido entre os agentes e o governo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O estudo ir\u00e1 identificar oportunidades, nichos de mercado e potenciais de investimentos. A partir dessa an\u00e1lise, dever\u00e3o ser definidos de 20 a 30 planos de neg\u00f3cios. &#8220;Assim poderemos ter uma ampla base para diversificar o parque qu\u00edmico nacional e at\u00e9 discutir a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas&#8221;, enfatizou Rodrigo Bacellar, superintendente do BNDES. Bacellar destacou que alguns n\u00fameros recentes apontam a fragilidade da cadeia. Nos \u00faltimos dois anos, enquanto o pre\u00e7o m\u00e9dio unit\u00e1rio de bens importados subiu 9% em quilos por d\u00f3lares, o valor das exporta\u00e7\u00f5es teve alta de apenas 2%, o que mostra que o pa\u00eds tem investido menos que os outros em pesquisa e desenvolvimento. Enquanto a ind\u00fastria nacional aplica 0,73% de seu faturamento l\u00edquido em inova\u00e7\u00e3o, no mundo esse percentual est\u00e1 em 2,5%. &#8220;Fechamos 533 linhas de produtos de alto valor agregado no Brasil, em um momento em que a ind\u00fastria g\u00e1s-qu\u00edmica dos Estados Unidos poder\u00e1 aumentar suas exporta\u00e7\u00f5es no mundo e poder\u00e1 direcionar parte de sua produ\u00e7\u00e3o ao Brasil&#8221;, afirmou Bacellar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o professor Jo\u00e3o Furtado, da Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o da Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), o governo tem sido pr\u00f3digo em criar incentivos \u00e0 demanda, mas pouco tem feito em rela\u00e7\u00e3o a est\u00edmulos \u00e0 produ\u00e7\u00e3o. &#8220;Os incentivos \u00e0 demanda s\u00e3o corretos, mas n\u00e3o h\u00e1 correspond\u00eancia ao est\u00edmulo de oferta, o que cria uma assimetria que precisaria ser corrigida&#8221;, ponderou. O deputado federal Vanderlei Siraque (PT-SP), presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Competitividade da Cadeia produtiva do Setor Qu\u00edmico, Petroqu\u00edmico e Pl\u00e1stico do Brasil, defendeu que o Brasil precisa encarar o desafio de o que far\u00e1 com o pr\u00e9-sal ao longo dos pr\u00f3ximos anos. &#8220;Seremos exportadores de petr\u00f3leo ou de produtos de valor agregado? O g\u00e1s para energia el\u00e9trica pode ter outros substitutos, mas como mat\u00e9ria prima pode n\u00e3o ter nenhuma outra op\u00e7\u00e3o alternativa&#8221;, afirmou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Roberto Rockmann e Genilson Cezar | Para o Valor, de Bras\u00edlia &nbsp; O futuro da ind\u00fastria qu\u00edmica nacional, sexta maior do mundo, com receita de R$ 300 bilh\u00f5es anuais, est\u00e1 em xeque. Nos \u00faltimos 20 anos, o consumo de bens no setor aumentou 8% ao ano, mas boa parte desse crescimento decorre de importa\u00e7\u00f5es. 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