A inflação dá sinais de desaceleração e a produção industrial de crescimento, esta alta é a maior desde março de 2010, quando a produção da indústria brasileira cresceu 3,4%. Os indicadores de 2013 certamente serão muito bons porque a base da comparação é um período estagnado. Boas perspectivas a frente, mas serão suficientes para estimular o investimento?

 

O Governo anunciou a desoneração de impostos para os produtos que compõem a cesta básica, a medida é socialmente inclusiva, embora com forte viés eleitoreiro. Dito isto, o fato é que o consumo de alguns produtos aumentará.  Entretanto ancorar o crescimento da nossa economia na expansão do consumo é uma estratégia esgotada. A solução está do lado da oferta, temos que ampliar o investimento para continuarmos aumentando as vagas de empregos e a distribuição de renda.

 

A nossa indústria está perdendo o fôlego, não investe.  Há consenso sobre algumas causas: tributação complexa e elevada, insegurança devido ao intervencionismo governamental, falta de infraestrutura para se escoar a produção, etc. E falta um plano robusto e abrangente para a indústria, que considere ações específicas, como a desoneração da folha de pagamentos, mas que, simultaneamente, proponha uma estratégia – ampla e de longo prazo – para o desenvolvimento industrial.

 

O Brasil necessita uma política industrial moderna, que alinhe nosso parque industrial às novas realidades do mercado global.  O Governo tem que trabalhar com um horizonte ultrapasse os próximos mandatos presidenciais, conciliando a política com a competência e continuidade gerencial.