O SIQUIRJ recebeu, no último dia 9 de março, o Embaixador Luiz Felipe de Seixas Corrêa, que ocupou importantes postos em diversos países e organizações internacionais e que atualmente preside o Conselho de Relações Internacionais do Sistema FIRJAN, para que, com sua vasta experiência em política externa, contribuísse numa conversa com o setor químico sobre as relações entre Brasil e Estados Unidos a partir do início do Governo Trump.
O Presidente do SIQUIRJ, Isaac Plachta, deu as boas-vindas ao embaixador, enaltecendo seu currículo e passou a palavra ao excelentíssimo convidado para que iniciasse sua explanação.
O Embaixador iniciou sua exposição agradecendo por ter sido convidado a falar em um ambiente agradável como o do SIQUIRJ. Comentou que não era crível a eleição de Donald Trump. Explicou que sua eleição se deu por um motivo principal: o descontentamento das classes médias e baixas dos EUA com a recessão econômica e as políticas que levaram à retração na oferta de empregos.
O Embaixador apresentou sua opinião de que seria uma espécie de mito o pensamento de que um empresário bem-sucedido é necessariamente um grande político e vice-versa, evidenciando o caso norte-americano do Presidente Herbert Hoover. Atentou para o fato de que no seu discurso de posse e no Capitólio, Donald Trump não mencionou os caminhos que irá traçar para realizar suas promessas de campanha.
Sobre as relações entre Estados Unidos e Rússia, o embaixador Luiz Felipe a classificou como estrategicamente fundamental, mostrando que ambas as nações têm, atualmente, objetivos próximos, como a contenção da União Europeia e o combate ao terrorismo.
Acerca do relacionamento com a América Latina, pontuou que Trump, até o momento, só tratou da construção de um muro em sua fronteira sul. O Presidente norte-americano retirou os Estados Unidos da Parceria Transpacífica e deve revisar o NAFTA, compelindo o México a entrar em relações comercias com a América do Sul.
Se tratando das relações com a China, alertou para o fato de que Donald Trump deva apresentar obstáculos ao reconhecimento do país asiático como economia de mercado pela Organização Mundial do Comércio, o que trará consequências para a organização. Esclareceu que há dependência recíproca entre ambas as nações, pois a China abastece os Estados Unidos de mercadorias de baixa tecnologia e compra a dívida americana, fazendo com que os norte-americanos dependam dessa relação.
Mostrou que Donald Trump pretende desregulamentar o setor financeiro, beneficiando o setor de energia não renovável, possivelmente gerando reações fora dos EUA no que tange à questão ambiental, além de sua equipe trabalhar para acelerar a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris.
Com isso, o Brasil pode esperar que essas políticas levem a uma redução do fluxo de investimentos norte-americanos diretos em território brasileiro, havendo mais incentivos para investimento do Brasil nos EUA. Especificou que o problema das relações comerciais entre Brasil e EUA está no fato de que não temos preferência no mercado norte-americano. No entanto, a Ásia e a Europa tendem a procurar parcerias, inclusive com o Brasil, para manter suas demandas.
Considerando haver tocado em importantes temas, o Embaixador abriu espaço às perguntas. Os presentes contribuíram para o debate com diversas questões que abrangeram os temas apresentados pelo Embaixador, gerando frutuosa e longa troca de informações. O Presidente do SIQUIRJ, Isaac Plachta, agradeceu novamente ao Embaixador pela presença e a excelente exposição das informações e a todos pelas contribuições. ∎