Os preços da nafta, principal matéria-prima da indústria petroquímica no Brasil, dispararam na semana passada, na esteira da crise mais grave enfrentada pelo Iraque nos últimos anos. Somente na quarta-feira (18), quando rebeldes do Estado Islâmico do Iraque e Síria (Isis) tomaram o controle da maior refinaria iraquiana – que é um pouco menor que a refinaria da Petrobras em Paulínia (SP) – e ampliaram os temores de redução da oferta global de petróleo, a cotação da nafta avançou 8% frente ao dia anterior, para US$ 972 por tonelada.

Essa valorização, somada à incerteza quanto aos desdobramentos da crise no Oriente Médio, deixou indícios de que os custos das petroquímicas baseadas em nafta começarão o segundo semestre fortemente pressionados, o que deve chegar à segunda geração, com aumento dos preços das resinas, avalia o diretor e sócio da consultoria MaxiQuim, João Luiz Zuñeda.

“O petróleo vai continuar caro e sempre que houver alguma questão geopolítica, os preços vão alcançar picos”, explica Zuñeda. Segundo ele, a cotação da nafta já vinha pressionada há algum tempo porque não houve investimento em ampliação da oferta, o que sugere que pode haver pressão de demanda no curto prazo. “Após três meses consecutivos de queda, a nafta voltou a subir em junho. Isso é preocupante, sobretudo se olharmos os preços em real”, diz.

Analisando-se apenas o primeiro semestre, segundo estimativa da MaxiQuim, o preço médio da tonelada de nafta ficou em US$ 928, com alta de 1% na comparação anual e queda de 2% frente ao registrado no mesmo intervalo de 2012. Em real, contudo, o aumento foi considerável: de 15% na comparação com o primeiro semestre de 2013 e de 21% ante os mesmos seis meses de 2012, para R$ 2.135 por tonelada.

“Esse é um momento crucial para a petroquímica brasileira, de negociação de contratos, com preços médios mais altos”, diz o especialista.

Sob outro ângulo, a nova rodada de valorização significa mais uma derrota à petroquímica base nafta, em termos de competitividade, frente aos produtores que basearam seus projetos em gás natural. Em um ano até maio (portanto antes da crise no Iraque), o preço em dólar da nafta, que é usado como referência para os valores que serão cobrados pela Petrobras no Brasil, subiu 12,6%, para US$ 937,84. No mesmo intervalo, o etano obtido a partir do gás natural mostrou valorização de apenas 1,28%, para US$ 212,51 a tonelada.

Essa diferença de ritmo de valorização das duas matérias-primas acentua cada vez mais a distância entre o custo de produção das petroquímicas base nafta do custo dos produtores baseados em gás, em movimento que teve início entre 2008 e 2009 com o gás de xisto nos Estados Unidos. Desde 2000, segundo dados da IHS Chemical, essa diferença nunca foi tão grande quanto a atual.

Fonte: Valor Econômico