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Formuladores da política econômica de presidenciáveis discutem planos

para o desenvolvimento da indústria brasileira nos próximos quatro anos

Nesta quarta-feira, 24, a Abiquim e o jornal Valor Econômico realizaram o seminário “A Indústria Brasileira na Política Econômica do Próximo Governo”. O evento, que aconteceu no Hotel Hilton São Paulo Morumbi, contou com as apresentações de Carlos Fadigas, presidente do Conselho Diretor da Abiquim, Armando Castelar, membro da equipe de conselheiros econômicos do candidato Aécio Neves (PSDB), Maurício Rands, coordenador do Programa de Governo da candidata Marina Silva (PSB), e Alessandro Teixeira, coordenador do Programa de Governo da candidata Dilma Rousseff (PT).

O objetivo foi ouvir dos formuladores da política econômica do próximo governo como eles, caso eleitos, pretendem lidar com os entraves da indústria, que freiam e atrasam o desenvolvimento do País.

Ao lado dos representantes dos presidenciáveis, participaram do debate os jornalistas do Valor Econômico Denise Neumann e Cristiano Romero. Também estiveram presentes no evento o presidente-executivo da Abiquim, Fernando Figueiredo, o deputado federal Vanderlei Siraque (PT-SP), além de empresários da indústria nacional e internacional.

 

“Com menos competitividade, crescimento acelerado do consumo gera riquezas no exterior”, afirma presidente do Conselho Diretor da Abiquim

Carlos Fadigas abriu o evento com uma apresentação mostrando que, apesar do potencial de crescimento da indústria nacional, ela encontra gargalos que diminuem sua competitividade perante outros países, que acabam absorvendo o crescente mercado consumidor brasileiro.

De acordo com o presidente do Conselho Diretor da Abiquim, nos últimos dez anos o Brasil viu a renda crescer, mas a produtividade da mão de obra não acompanhou essa alta. Enquanto o crescimento médio anual da indústria de transformação chinesa entre 2000 e 2012 foi de 10%, a brasileira cresceu 1%. Para Fadigas, a indústria nacional enfrenta um desafio central que é avançar em competitividade. Para isso, é relevante que a indústria opere de forma competitiva em fatores como energia, tributação, infraestrutura, mão de obra, juros, câmbio, burocracia e matéria-prima. De acordo com o executivo, com o pré-sal, o Brasil passa a dispor dos recursos naturais essenciais para a indústria química, que fica na base da cadeia industrial. “É importante industrializar a matéria-prima no Brasil e não exportar empregos de alta qualificação, renda e PIB”, afirmou. Ainda sobre a indústria química, Fadigas, que também preside a Braskem, destacou a condição privilegiada do Brasil de ter matéria-prima abundante e competitiva e um mercado interno crescente, além de uma indústria química forte. Para ele, esses três fatores têm potencial para trazer benefícios como novos investimentos, geração de renda e de empregos, inovação e desenvolvimento tecnológico, redução do déficit comercial e arrecadação de impostos.

Fadigas acredita que indústria e governo devem continuar trabalhando juntos, a fim de criar um ambiente de negócios que viabilize uma indústria forte no Brasil. Nesse sentido, destacou medidas como o retorno do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), importante medida  de incentivo à exportação. “A meta de longo prazo é a abertura econômica, mas ela precisa ser feita de forma coordenada e antecipada por um fortalecimento da indústria brasileira. Caso contrário, ela terá o efeito inverso: ao invés de criar uma indústria mais competitiva, sua exposição à competição global pode acelerar de forma importante o processo de desindustrialização do Brasil”, alertou.

 

“A indústria está andando para trás”, afirma conselheiro econômico de Aécio Neves

Na opinião do membro da equipe de conselheiros econômicos do candidato Aécio Neves (PSDB), Armando Castelar, a política industrial do governo atual é ineficaz e ineficiente, levando o desenvolvimento da indústria a “andar à marcha ré”. Castelar chamou a atenção para a estagnação da produtividade, que não acompanhou o aumento da renda da população, fazendo com que a indústria brasileira “ficasse para trás em relação a outros mercados”.

O economista destacou ainda que o nível de confiança da indústria “despencou” desde o início do governo Dilma e levantou a questão do “sucateamento industrial”: “Voltamos à situação dos anos 1970”, afirmou. Além disso, para ele, o baixo investimento e a falta de infraestrutura atual tiram a competitividade da indústria nacional. “A política econômica precisa mudar”, concluiu.

 

Caso eleita, “próximo governo de Dilma será pautado na defesa e no ganho de produtividade da indústria”, ressalta coordenador do Programa de Governo do PT

Alessandro Teixeira, coordenador do Programa de Governo da candidata Dilma Rousseff (PT), destacou a “inversão da fotografia encontrada no início do governo Lula, em que 50% da população era pobre”. De acordo com Teixeira, hoje esse índice é de 8%. O representante do programa de governo de Dilma reconheceu os problemas da indústria, mas lembrou dos programas lançados em prol do setor, destacando o Plano Brasil Maior. “Construímos um cenário diferente”, observou.

Quanto à política industrial, o ex-secretário-executivo do MDIC afirmou que “o próximo governo será pautado na defesa e no ganho de produtividade”. Teixeira garantiu que não há risco de apagão energético, graças aos investimentos feitos no setor pelo governo petista e à construção de novas usinas hidrelétricas.

O coordenador apontou também para a política de defesa do conteúdo local e o reforço da indústria naval, “que é fundamental para a petroquímica”, lembrou, e foi favorável ao aumento dos investimentos em projetos do BNDES. “Nosso modelo foi criar um mercado interno de consumo. Temos capacidade de expandir. Agora precisamos de uma indústria forte”, ressaltou.

 

“É preciso reverter as políticas macroeconômicas e fazer reformas microeconômicas inadiáveis”, defende coordenador do Programa de Governo de Marina Silva

Para Maurício Rands, é necessário estabelecer outro conceito de relacionamento entre estado e sociedade. Para ele, há três pontos da política macroeconômica que precisam ser revertidos. Em primeiro lugar, o coordenador do Programa de Governo da candidata do PSB, Marina Silva, o novo governo tem de resgatar o rigor da política fiscal, trazendo transparência, a fim de recuperar a credibilidade. Para isso, ele sugere a criação de um Conselho Nacional de Responsabilidade Fiscal, “para dar luzes sobre a evolução dos gastos públicos”. Ainda no âmbito macroeconômico, Rands defende uma política monetária menos intervencionista, dando independência ao Banco Central. Finalmente, o advogado afirma que são necessários ajustes na política cambial.

Com relação às reformas microeconômicas, ele considera inadiável a reforma tributária a fim de desonerar investimentos, simplificar as questões tributárias e, assim, gerar aumento do PIB per capita. O representante de Marina Silva também vê como inadiável a reforma do mercado de crédito, propiciando o fortalecimento dos bancos públicos e criando políticas de redução do spread “para aumentar a competitividade e dando condições para que o setor privado corte uma porção maior das necessidades de financiamento da indústria brasileira”.

Quanto à legislação trabalhista, Rands acredita que “é preciso preservar os direitos dos trabalhadores, mas deve existir um espaço onde se pode promover segurança jurídica e também um espaço em que, através da ação que fortaleça a capacidade de negociação dos sindicatos de empresários com os sindicatos de trabalhadores. Precisamos de mais certeza jurídica e de menos burocracia”.

 

Representantes dos planos econômicos de governo dos presidenciáveis debatem protecionismo e abertura comercial

Armando Castelar, membro da equipe de conselheiros econômicos do candidato Aécio Neves (PSDB), defendeu a integração internacional da indústria para alcançar o crescimento. Ele acredita que é preciso “sair para o mercado externo com o ganho de competitividade internacional”. Para isso, ele defende que é necessário ter infraestrutura adequada, redução da inflação e da burocracia e uma macroeconomia saudável.

Para o coordenador do Programa de Governo da candidata Marina Silva (PSB), Maurício Rands, é preciso mudar a antiga visão desenvolvimentista do País. Para ele, a solução não é protecionismo, mas a desobstrução dos gargalos. “Temos de olhar para frente, eliminando os entraves burocráticos, de infraestrutura, tributários, enfim, o custo Brasil, para o aumento da competitividade e para a integração internacional”. Rands defende a aposta no multilateralismo, fazendo com que a política externa seja promotora da competitividade.

Já o coordenador do Programa de Governo da candidata Dilma Rousseff (PT), Alessandro Teixeira, chamou a atenção para a diferenciação entre “defesa da indústria” e “internacionalização”. De acordo com Teixeira, o governo Dilma faz defesa e isso não está em contradição com a isonomia competitiva. O coordenador também lembrou que o problema da infraestrutura é histórico, anterior à gestão do PT, e que “há um longo caminho a se percorrer” nessa questão. Teixeira ainda afirmou que foi no governo atual que as empresas começaram a se internacionalizar fortemente, por meio do BNDES.

 

Custo da energia brasileira é tema de discussão no seminário

Alessandro Teixeira, coordenador do Programa de Governo da candidata Dilma Rousseff (PT), reconheceu a existência de gargalos desde a geração à distribuição de energia. Entretanto, ele garante que a indústria química ganhará competitividade com os investimentos que o eventual próximo governo Dilma pretende fazer nas áreas de gás e energia elétrica nos próximos anos.

Para Maurício Rands, coordenador do Programa de Governo da candidata Marina Silva (PSB), houve “falta de diálogo e de planejamento, além de uma intervenção errática no setor energético”. Segundo Rands, “a tarifa de energia voltou a subir e é um empecilho à competitividade, além de não ter proporcionado investimentos e, ainda, incentivado o uso de energias mais poluentes”. Na opinião do coordenador, é preciso aprofundar a questão do gás e investir em uma matriz energética mais limpa e segura.

Armando Castelar, membro da equipe de conselheiros econômicos do candidato Aécio Neves (PSDB), considera a política do governo atual sobre as questões de energia elétrica e do petróleo “um desastre”. “Aumentou o preço dos combustíveis, cresceu a alavancagem das dívidas financeiras para fazer investimentos. Você tem um governo que se diz defensor da indústria nacional, mas que está sucateando a energia elétrica”, analisou. Para Castelar, é importante ter um aparato regulatório que dê segurança aos investidores.

 

Palestrantes falam sobre papel do BNDES no incentivo ao crescimento da indústria

Para Maurício Rands, coordenador do Programa de Governo da candidata Marina Silva (PSB), o Brasil não pode depender somente do BNDES. Além disso, é preciso aumentar o acesso das pequenas e médias empresas ao crédito e permitir que o setor privado também abasteça o mercado com crédito.

O membro da equipe de conselheiros econômicos do candidato Aécio Neves (PSDB), Armando Castelar, cobrou transparência nos subsídios do governo e criticou o uso do BNDES como “conta movimento”. Para ele, “falta uma boa política fiscal e juros reais negativos. É preciso acabar com a criação de remendos que fazem com que a indústria dependa de compensações”.

Alessandro Teixeira, coordenador do Programa de Governo da candidata Dilma Rousseff (PT) rebateu as críticas afirmando que o BNDES empresta também para pequenas empresas. “A carteira para PMEs cresceu 20% nos últimos anos”, afirmou. Teixeira também defendeu que “a participação do BNDES é fundamental como sustentáculo do desenvolvimento industrial”.

 

Evento foi transmitido ao vivo pela internet

Todo o seminário pode ser acompanhado ao vivo pelo site do Valor. Assista à reportagem feita pelo jornal: http://www.valor.com.br/video/3804084076001/politica-industrial-e-consenso-entre-os-candidatos

A matéria publicada pelo Valor Econômico “Propostas para indústria mostram divergências” está disponível para download no site da Abiquim. Clique aqui para acessar.

O seminário “A Indústria Brasileira na Política Econômica do Próximo Governo” foi uma realização do jornal Valor Econômico com o patrocínio da Abiquim.