No último dia 9 de abril, o SIQUIRJ recebeu Guilherme Mercês, gerente de estudos econômicos da FIRJAN, para uma exposição sobre o Ajuste Econômico, com fins de esclarecer ao setor químico o panorama econômico e as medidas que estão sendo tomadas para conduzir a política econômica nacional.
Começando pelo quadro internacional, Guilherme Mercês expôs a rivalidade dos Estados Unidos e do Oriente Médio na questão petrolífera e a recuperação econômica do primeiro na oferta global de energia a partir do shale gas, que motivou a OPEP a baratear o barril do petróleo para retomada de suas economias. Para os países não produtores, representou a redução na taxa de juros pela diminuição dos custos, como China e Turquia, enquanto aos produtores representou uma queda indiscutível nos lucros das nações, como o Brasil.
Ainda no panorama internacional, Guilherme Mercês citou a política monetária das nações, como o atual fortalecimento do dólar e o enfraquecimento do euro. A desaceleração do crescimento da China também foi apontada como um dos fatores de impactos na economia brasileira, visto que era um grande importador dos produtos nacionais.
Guilherme Mercês iniciou sua exposição do cenário brasileiro evidenciando que a culpa não é exclusivamente internacional, ao contrário do que diz o governo federal. Tomando como base países emergentes mostrou: que a taxa de câmbio do Real foi a que mais se desvalorizou; que o risco país foi o que mais cresceu; que o desempenho no mercado acionário o que mais caiu, inclusive com nações semelhantes em ascensão, o Brasil é um dos poucos em queda; que a taxa de juros é uma das poucas em ascensão, mesmo com o país em recessão, enquanto a maioria do mundo está reduzindo suas taxas.
O economista salientou que com o PIB em -1%, haverá impacto na indústria por volta de 3%. Somente no Rio de Janeiro, nos dois primeiros meses do ano, o saldo bruto de demissões contou com 11.000 demissões na construção civil. Comentou que o ajuste econômico se dará, de maneira atrasada, basicamente em aumento de impostos, subida de juros e racionamento quantitativo via preços, com aumento da energia elétrica em 40%.
Guilherme Mercês explicou que uma mudança na taxa de juros leva por volta de 9 meses para ter sentido seus efeitos e a demora do Banco Central em aplicar os ajustes, posterga ainda mais a recuperação, fazendo com que 2015 seja ano de recessão e 2016 de baixo crescimento.
No Rio de Janeiro, a indústria de transformação está em queda, em mais de 5%, sendo a comparação de fevereiro de 2015 com 2014, representada por uma queda de 11%.
Mercês mostrou os resultados de um estudo da FIRJAN, revelando que o custo do trabalho da indústria, relação salário/produtividade, foi a que mais avançou, além da carga tributária que, apesar das desonerações que não acompanharam a queda da produção, aumentou em 7% no PIB, passando a arrecadação de impostos da indústria a somar 45,5% de toda sua arrecadação, a mais pesada dos setores. Com os lucros esmagados, não há investimentos.
Finalizando, o economista da FIRJAN, reforçou o empenho da Federação na defesa do setor, comentando a elaboração de propostas para sair da crise protegendo a indústria dos impactos, que serão apresentadas ao senhor Ministro da Fazenda, Joaquim Levy.