No último dia 8 de agosto, o Siquirj recebeu em sua sede o economista William Figueiredo, Gerente de Infraestrutura da Firjan, para realizar uma exposição sobre as Oportunidades e Desafios para o Estado do Rio de Janeiro.

Na ocasião, o Presidente do Siquirj, Isaac Plachta, agradeceu a presença de William Figueiredo, bem como de seu analista Isaque Ouverney, enaltecendo o profissionalismo do palestrante, que já pôde constatar em palestras na Federação.

William Figueiredo iniciou sua exposição partindo do Acordo Mercosul – União Europeia, mostrando aos presentes uma visão geral das principais empresas europeias no Estado do Rio de Janeiro, dentre elas destacam-se duas associadas ao Siquirj, Bayer e Merck, evidenciando o status do Estado do Rio de Janeiro como local de interesse mundial para a realização de investimentos.

Sobre o Rio, comentou que o Estado ocupa o 13º lugar na classificação de Competitividade Estadual, ficando abaixo dos Estados do Sul, Sudesde, Centro-Oeste e dois do Nordeste. O Rio destaca-se pela formação de Capital Humano – o principal ativo do Estado (2º lugar da classificação), devido à presença de renomadas universidades, e pela Inovação (5º lugar). No entanto, o Rio de Janeiro tem graves dificuldades na Infraestrutura (21º lugar), Segurança Pública (23º lugar) e Solidez Fiscal (último lugar).

Segundo o palestrante, a questão da Infraestrutura e da Segurança Pública devem ser geridas pelo setor privado, caso contrário não haverá desenvolvimento, pois o Governo do Estado deve se concentrar para sanar a questão da Solidez Fiscal até 2023, o que também poderia ser auxliado pelo setor privado, através das obras em infraestrutura, que dão grande impulso na economica, sendo transervsal a vários setores.

Geograficamente, o Rio de Janeiro ocupa posição privilegiada no território nacional, sendo conexão dos Estados do Sul e Nordeste, ou seja, sendo o centro do país na sua área produtora.

Sobre o sistema portuário fluminense, possui atualmente mais de 50 instalações portuárias, 11 portos e terminais de uso privado, com infraestrutura diversificada, espalhados de sul a norte do Estado, cujo desafio está na necessidade de melhoria dos acessos (rodoviários, ferroviários e aquaviários), bem como a questão do calado. A maior parte do conjunto portuário está com capacidade ociosa maior que 50%, ou seja, se houver aumento de demanda, já há portos instalados para atender, sendo necessário a melhoria dos acessos, aumentando a mobilidade na capital e a competitividade logística do Estado.

Quantos aos acessos aquaviários e ferroviários, William explica que as demandas no Porto do Rio passam pela autorização da navegação noturna no Canal da Cotunduba, o aprofundamento do Canal da Barra Grande, a conclusão da Avenida Portuária em 2020 e o início da duplicação da Av. Alternativa. Já no Porto de Itaguaí, é necessária a adequação do Canal Derivativo e, no Porto do Açu, a construção do acesso prioritário via ferrovia Rio-Vitória (EF-118) e do novo acesso rodoviário (RJ-244).

William apresentou também diversas reportagens dos principais veículos de mídia que mostram a qualidade precária das rodovias do Estado. Do total de rodovias, 60,8% são consideradas ótimas ou boas, das concedidas 86,3% são consideradas ótimas ou boas, mas das públicas 63,2% são consideradas regulares, ruins ou péssimas, sendo a Via Lagos (RJ-124) a única rodovia de excelência, levando em consideração três aspectos: geometria, sinalização e pavimento.

O palestrante considera que deve haver concessão das rodovias ao setor privado, pois o Estado não pode geri-las, e com isso, haveria diminuição do custo logístico e dos acidentes, aumentando a mobilidade urbana.

O Governo Federal estuda a licitação antecipada das rodovias BR-116 (Via Dutra), BR-116-Norte (Rio-Teresópolis-Além Paraíba) e BR-040 (Rio-Juiz de Fora), que vencem em 2021. Há também a possibilidade de inclusão de novos trechos, nas novas concessões, das rodovias BR-493 (Arco Metropolitano), BR-101-Sul (Rod. Rio Santos), BR-495 (Petrópolis-Teresópolis) e BR-465 (Antiga Rod. Rio-São Paulo). Os ganhos seriam obras como as novas pistas das Serras das Araras e Petrópolis, atração de cargas de outros estados para portos e aeroportos fluminenses e diminuição dos custos logísticos fluminenses. Há também estudos de viabilidade de concessão de 13 rodovias estaduais, divididas em 7 lotes, em análise pela Setrans.

A situação atual do sistema ferroviário fluminense é a de duas ferrovias em operação no Estado, cuja malha em operação atende apenas ao sul, são elas: MRS (Ferrovia Minas–Rio–São Paulo), que liga o Rio de Janeiro à região de Belo Horizonte e a São Paulo, 459 km em operação em território fluminense, e a VLI/FCA (Ferrovia Centro Atlântica), que liga o Rio de Janeiro ao Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais e a São Paulo, com 50 km em operação no Estado. O desafio é a necessidade de expansão da malha, integrada com o sistema portuário fluminense, diminuindo o custo do frete e aumentando a integração do sistema portuário fluminense.

Acerca de novos investimentos na área, há a renovação antecipada das concessões da MRS (audiências públicas realizadas; previsão R$ 4,8 bilhões em investimentos no Rstado) e VLI/FCA, com potencial de atração de cargas agrícolas. Há também a construção da EF-118, priorizada pelo Programa de Parcerias de Investimento, com extensão aproximada de 577 km, valor estimado de R$ 5,7 bilhões, com passagem por 25 municípios (15 fluminenses), bem como conexões ferroviárias, integrando os quatro estados do Sudeste, atendendo o Porto do Açu, o Distrito Industrial de São João da Barra e ao Comperj.

No concernente ao sistema aeroportuário fluminense, o Rio de Janeiro possui 5 aeroportos com transporte regular de cargas, cujo desafio é a necessidade é a atração de voos regulares para o Estado do Rio de Janeiro, para ganhar potencial logístico e investimentos. No interior do Estado, há programas a serem avançados para construção de aeroportos em Resende e Itaperuna, bem como dinamização do potencial turístico em Resende, Paraty e Cabo Frio, que são portas de entrada para Médio Paraíba, Costa Verde e Região dos Lagos.

Finalizando sua apresentação, William Figueiredo mostrou aos presentes os mercados potenciais para o Rio de Janeiro, como, por exemplo, a captura de carga pelo Estao, pois 20% das exportações fluminenses deixam o país por outros Estados, bem como 39% das importações com destino ao Estado do Rio de Janeiro entram no país por outros Estados. No caso de Minas Gerais, há um grande potencial de captação do fluxo de carga pelo Rio, pois há um fluxo de US$ 13,2 bi que entra e sai via São Paulo, que poderia ter a participação do Rio.

Ao final, William Figueiredo se colocou à disposição dos presentes para uma frutuosa conversa, onde todos puderam expor suas opiniões e dúvidas sobre o tema.