No último dia 10 de março, o SIQUIRJ recebeu o economista Guilherme Mercês, Gerente de Economia e Estatística da FIRJAN, que realizou uma palestra sobre o Cenário Econômico Nacional e Estadual. Na ocasião, Mercês não fez somente uma exposição de dados, mas apresentou relevantes informações sobre a situação, bem como preocupações para com a sociedade e possíveis saídas deste momento de crise.
O palestrante iniciou sua explanação abordando o cenário internacional, mostrando que há incerteza em relação a China, cujo crescimento não passará de 6%, impactando a demanda de commodities e mitigando o efeito da alta do dólar para as exportações. Comentou que a Europa continuará imprimindo moeda para desvalorizar o euro e os EUA manterão os juros estáveis, sendo positivo para o Brasil, pois caso contrário haveria dificuldade em se manter dólares em território nacional.
Guilherme Mercês teceu comentários sobre a taxa de câmbio, mostrando que o risco país é o principal fator de queda da taxa em 2016, mas que tem potencial para ajudar as exportações. O economista pontuou que haverá queda de 4 a 5% do PIB em 2016, reduzindo demanda por importações e equilibrando a balança comercial.
Sobre a atividade econômica, Guilherme Mercês mostrou que as projeções para o final de 2016 é de queda na atividade industrial de 8,09% no Brasil e 5,0% no Estado do Rio de Janeiro, terceiro ano consecutivo de queda de produção industrial. Pontuou o problema concernente à Indústria de Transformação, especialmente no Rio, onde as três principais cadeias estão sofrendo o impacto (petróleo, construção civil e automotiva) trazendo queda de 25% na atividade metalúrgica.
Em se tratando dos impactos no mercado de trabalho, o economista expôs que na indústria de transformação foram fechados 584 mil empregos em 2015, e no geral 1,5 milhão de empregos e espera-se apenas em 2016 por mais 2 milhões de desempregados. Guilherme Mercês comentou que a saída passa pelo equilíbrio entre desemprego e redução salarial, concluindo que a dificuldade na redução trará impacto na questão do desemprego.
Guilherme Mercês expôs a questão das dívidas estaduais, mostrando que o Rio de Janeiro tem 200% da sua receita anual como dívida, ocupando terceiro lugar no ranking de dívida dos estados, dívida essa renegociada em Brasília. Abrindo as contas do Estado, Mercês mostrou que a maior parte da arrecadação é tributária e que a questão dos royalties impacta, mas não é o mais importante. O economista pontuou que é necessário realizar reformas estruturais, pois o Estado do Rio está com um rombo de 18% do orçamento, e dentre as reformas que propõe está a questão dos encargos da dívida, que geram um estoque na mesma aumentando cada vez mais sua importância.
Comentou que a Rio Previdência consome atualmente 26% do orçamento do Estado do Rio de Janeiro para pagar apenas 26 mil servidores. Elucidou que a parte proveniente da Previdência para este pagamento consta apenas de R$ 4 bilhões, gerando um rombo de R$ 11 bilhões que foi coberto, em 2015, com royalties, lançamento de debêntures e depósitos judiciais, que por sua vez não é uma receita com que se possa contar novamente.
Sobre o cenário nacional, Guilherme Mercês abordou a questão da inflação, mostrando que 2015 fechou com quase 11% e que o Banco Central demonstra não procurar mais controla-la via taxa de juros, e que seria necessário superávit de 3-5% para fazê-la parar de crescer ou a desvalorização da moeda para desvalorizar as dívidas dos Estados.
Após o término da exposição, o palestrante se colocou ao inteiro dispor dos participantes, que fizeram perguntas, as quais foram prontamente respondidas.