Com a aprovação da lei que estabeleceu o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em 2010, a logística reversa passou a ser um tema de grande relevância para a indústria. De acordo com o Plano, as empresas passam a ter maior responsabilidade pela destinação dos resíduos gerados após o consumo de seus produtos. Além da obrigação legal, esse conceito deve estar nos planos de negócios das indústrias pelos benefícios econômicos, sociais e ambientais que pode criar.
A logística reversa é um incentivo para que os produtos industriais, depois de consumidos e descartados, retornem à cadeia produtiva. Uma das formas de fazer com que os resíduos possam ser reutilizados pela indústria é por meio da reciclagem.
Um dos ganhos gerado pela logística reversa está no valor agregado para as organizações. Ao sustentar uma imagem ambientalmente correta, a empresa tem vantagens competitivas em relação a seus concorrentes.
Esse fluxo logístico é uma das propostas da Economia Circular, que rompe com o conceito linear de extrair, produzir, consumir e descartar. Ao maximizar o tempo de vida útil dos produtos e reduzir os impactos ambientais da produção, esse modelo traz diversas oportunidades e abre novos nichos de mercado. Uma empresa que conseguiu expandir negócios por meio da economia circular é a Michelin, que substituiu parte de seus contratos de comercialização de pneus pela venda de performance.
A companhia desenvolveu a Solução Tonelada Km (TK), na qual oferta o serviço de gestão e reparo de pneus para mineradoras, maximizando sua qualidade e tempo de utilização. Como o pagamento é feito de acordo com a quilometragem do pneu, quanto mais ele produzir, maiores são os ganhos compartilhados entre a Michelin e as mineradoras.
“Identificamos que essa seria uma forma de trazer faturamento para a empresa dentro dessa nova proposta. É interessante para nós que o produto que fabricamos seja utilizado pelo maior tempo possível”, explicou Rodrigo Santoro, assessor de Relações Institucionais da Michelin.
Atenta À relevância desse novo modelo econômico, a Prefeitura do Rio de Janeiro já planeja iniciativas para difundir o tema na cidade. A principal é a criação de uma agência de economia circular, ação que está no plano estratégico do Rio Resiliente, programa do Centro de Operações do Rio (COR).
O fórum terá a missão de fomentar a promoção do conceito circular no município. “Com esse projeto queremos incentivar a colaboração intersetorial, ampliar a eficiência dos recursos disponíveis e promover o conceito de compartilhamento”, pontuou Pedro Junqueira, chefe-executivo do COR.
O incentivo governamental à economia circular já é uma realidade na Holanda. O país incluiu o tema em todos os mistérios da administração federal e criou uma aceleradora que trabalha com empresas em diferentes assuntos relativos a esse modelo.
Segundo Douwe Jan Joustra, especialista que ajudou na elaboração dos programados governo holandês, o Brasil tem características que aumentam seu potencial para desenvolver essa nova economia: “Há mão de obra e energia em abundância neste país que podem trazer grandes oportunidades. Vocês podem fazer muito melhor do que nós. Economia circular não é sobre sustentabilidade apenas, é sobre gerar negócios”.

Fonte: Carta da Indústria nº 726