Dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram claramente a sinuca enfrentada pelo setor brasileiro de manufatura: por um lado, é cada vez maior a dificuldade de vender produtos nacionais lá fora e, por outro, a participação dos importados no consumo doméstico não para de subir. No primeiro trimestre do ano, os bens fabricados no exterior abocanharam o recorde de 22% das vendas no País.

 

Ao mesmo tempo, a participação das exportações no faturamento industrial, que subia desde abril de 2012, inverteu a tendência e caiu no primeiro trimestre. Para cada R$ 100 em vendas da indústria, no fim apenas R$ 20,4 vêm de fora, ante R$ 20,6 no fim de 2012.

 

De acordo com a CNI, os dados ilustram as dificuldades de competitividade enfrentadas pelo setor industrial do País desde a eclosão da crise financeira internacional, em 2008. Os quase 20 pacotes baixados pelo governo, a administração do câmbio na casa dos R$ 2 e a redução da taxa de juros não seriam suficientes para alterar fundamentalmente o cenário, segundo a CNI. Falta ainda desatar os nós da infraestrutura, que aumentam os custos, e reduzir a burocracia e a carga tributária.

 

Fonte: Valor