A forte queda dos preços do petróleo e a valorização do dólar devolveram competitividade à indústria petroquímica brasileira, que experimentou em 2015 um dos melhores momentos dos últimos dez anos em termos de rentabilidade. A boa fase, de acordo com especialistas e executivos do setor, deve se estender ao longo de 2016, sustentada por spreads – diferença entre os preços da matéria-prima e de resinas – ainda positivos e demanda aquecida no mercado internacional, particularmente na América do Norte e Europa. “Os spreads pararam de crescer, mas seguem elevados e bem mais positivos que em outros anos”, afirmou Otávio Carvalho, diretor da consultoria MaxiQuim.
O mercado doméstico, porém, seguirá anulando parte dos ganhos com esse cenário mais favorável. Para contornar a deterioração das vendas domésticas, a Braskem ampliou exportações em 2015, o que deve se repetir ao longo deste ano. A desvalorização do petróleo, que em meados de 2014 custava mais de US$ 110 o barril de Brent e neste momento opera perto de US$ 35, foi um dos principais motores de recomposição das margens dos produtores de resinas e petroquímicos básicos baseados em nafta em 2015. Por ser um derivado do óleo, o insumo acompanha sua trajetória de preços e voltou, no ano passado, a ser negociado a valores relativamente competitivos frente ao gás natural americano ou ao gás subsidiado do Oriente Médio.
Em dezembro, a cotação da nafta ARA, usada no mercado europeu e no Brasil, estava em US$ 278,50 a tonelada, bem abaixo dos US$ 1,2 mil por tonelada alcançados momento de pico – em 17 de fevereiro, a cotação era de US$ 374,75. Já a referência internacional do etano, Mont Belvieu, que é uma fração do gás natural, estava em US$ 106,18 a tonelada em dezembro e subiu para US$ 111,30 na quarta-feira.
No Brasil, segundo estimativa da consultoria MaxiQuim, o preço da nafta vendida pela Petrobras à Braskem está em R$ 1.540 a tonelada neste mês, frente a R$ 1.622 por tonelada em janeiro e R$ 1.590/tonelada em dezembro. Nova queda é projetada para março, considerando-se a existência de uma média móvel de três meses na nova fórmula de preços, que adia o reflexo da volatilidade das cotações internacionais nos preços locais.
Na contramão da matéria-prima, os preços internacionais das principais resinas termoplásticas – entre as quais polietileno (PE) e polipropileno (PP) – se sustentaram em alta durante boa parte do ano passado, o que resultou em spreads elevados. Desde janeiro, porém, a desvalorização de algumas resinas, especialmente na Ásia, já se refletiu em “pequenos ajustes para baixo” nos preços praticados no Brasil, comentou Carvalho.
Para 2016, a expectativa é de manutenção do ciclo de alta do PP nos Estados Unidos e maior volatilidade de preços na Ásia, por causa do início de operação de novas fábricas. O mercado de polietileno, por sua vez, deve continuar mostrando vigor ao menos até 2017, quando começam a entrar em operação projetos baseados em gás de xisto, cuja exploração proporcionou a retomada dos investimentos em projetos petroquímicos nos Estados Unidos.
Além de ampliar a competitividade do produto brasileiro no mercado externo, o dólar valorizado reduz a procura por importados no mercado interno, uma vantagem importante em momentos de forte retração da demanda.

Fonte: Valor