Não podemos repetir os mesmos erros

Em boa hora o TCU começa a avaliar o impacto na economia das operações de crédito do BNDES concedidas pelos últimos governos, com o objetivo de criar – artificialmente – empresas campeãs no país e no mundo. O objetivo imediato é esclarecer todas as etapas da negociação entre o BNDES e a JBS. Porém, a resposta mais importante será: Qual o retorno para a sociedade brasileira dos vultuosos recursos investidos nas empresas campeãs?
Quais foram os resultados? E o mais importante: Quais os critérios adotados para se “eleger” as campeãs nacionais? Se foram somente técnicos, tudo bem, porque os quadros do BNDES são competentes, mas se houve interferência política?
Além de responder estas questões, o estudo servirá para confirmar, ou não, a eficácia da crença que o governo deve interferir diretamente na economia. No passado, os focos da ingerência governamental foram a substituição da importações e o fortalecimento das empresas estatais o que, no setor químico, resultou na criação da Petroquisa e na implantação da indústria petroquímica em um curtíssimo espaço de tempo apesar do contexto pós-crise internacional (elevação) dos preços do petróleo. Estratégia anticíclica com ganhos sociais e econômicos.
No anunciado estudo do TCU sobre a JBS, os empréstimos serviram para elevar o grau de corrupção no governo, mas vamos imaginar que se trate de um ponto isolado. Dos outros empréstimos com juros subsidiados para os ungidos como “campeões nacionais”, o que retornou como benefícios socioeconômicos para a sociedade?
As crises nos fortalecem. Conceder incentivos de crédito e subsídios não pode facilitar a corrupção, há que se ter transparência e cobrança de metas de desempenho. Não podemos repetir os mesmos erros.∎