A economia confirma a recuperação

Embarcamos em um círculo virtuoso, a recuperação econômica prossegue gradualmente. O comportamento da Bolsa de Valores – batendo recorde em número de pontos – e a cotação do dólar indicam confiança do mercado financeiro.
A perspectiva de queda da inflação e a queda dos juros empurram para cima o, ainda tímido, crescimento do PIB, mas é uma reversão de tendência, já passamos pela parte mais funda do poço.
A indústria também dá bons sinais, sustentada pelos segmentos de papel e celulose e extração mineral, enquanto outros setores reduzem a capacidade ociosa. O indicador geral para a atividade industrial cresceu 0,8% em julho, relativamente ao mês anterior; foi o quarto mês consecutivo de crescimento.
O setor de bens duráveis – eletrodomésticos, eletrônicos (a linha marrom), motos e motocicletas – também apresentou taxas positivas pelo quarto mês consecutivo. Estes bens refletem o aumento do poder de compra da classe média, ampliado pela queda da inflação e dos juros, o que vale dizer que há muita estrada pela frente no sentido de aumentar o consumo.
Falta a taxa de investimento, que sempre foi baixa e continua estagnada em 15%. Claro que o consumo inicia o ciclo, mas a retomada só será sustentável quando os agentes econômicos e governo decidirem tocar projetos na indústria e em infraestrutura.
Outro aspecto é o equilíbrio das contas públicas, será necessário tempo e muita firmeza para conter o crescimento das despesas obrigatórias e realizar algum aumento de impostos, estes são desafios para o futuro presidente e sua equipe.
Quanto ao atual governo, sou otimista, espero apenas que a sua fragilidade política não inviabilize a reforma previdenciária. Acredito que a atual percepção dos agentes econômicos sobre o quadro fiscal seja a correta, e que a retomada econômica não se enfraqueça.∎