Que lideranças estarão nas eleições

O ano parlamentar foi consumido com negociações para preservar o mandato presidencial e a Câmara cobrou caro, minguando o capital político que o Governo dispunha para aprovar as reformas econômicas mais urgentes e controlar o desajuste fiscal; ainda assim o Presidente negocia para aprovar o início de uma reforma restrita da Previdência deixando ao próximo eleito a continuidade das mudanças.
É plausível prever algum crescimento econômico – pela ocupação da capacidade ociosa da indústria e do consequente aumento da oferta de empregos. Este crescimento não alimenta a inflação e os juros, significando maior poder de compra e maior volume de crédito.
Tudo isto ajuda, mas não leva ao crescimento sustentado por investimentos produtivos, porque estamos ocupando a capacidade ociosa que a crise causou.
A sustentabilidade dependerá da escolha que o Brasil fará nas eleições e da continuidade das reformas econômicas.
A inflação abaixo do previsto e as taxas reais de juros também baixas sinalizam que, a retomada do crescimento econômico e, logo depois, o aumento da taxa de emprego, têm grandes probabilidades se consolidar. Há que se investir, porque apenas o aumento da demanda interna não será suficiente para consolidar a nossa economia, e os agentes econômicos somente colocarão seus projetos em execução depois clareado o resultado da disputa presidencial e as propostas do novo eleito.
Não há uma forte liderança comprometida com mudanças estruturais disposta a lidar com a impopularidade e insatisfação momentânea das pessoas; frustrar expectativas de direitos de aposentados, trabalhadores e funcionários do Estado, mesmo que para garantir o futuro do Brasil. Quem vai levar esta bandeira?
O contexto político continua travando investimentos cruciais para retomarmos o crescimento sustentável.∎