O Siquirj recebeu, no último dia 13 de junho, o economista Tomáz Leal, Analista de Estudos Econômicos da Firjan, para realizar uma palestra sobre a Economia Brasileira: Situação Fiscal e Perspectivas com a Reforma da Previdência.
Na oportunidade, Tomáz Leal pode traçar a conjuntura econômica mundial, pontuando os fatores de risco que aumentam a incerteza quanto ao crescimento global. Com isso, o FMI, por exemplo, revisou sua expectativa de crescimento da economia mundial em 2019 para 3,3%, com impacto estimado de -0,5 p.p. das tarifas comerciais protecionistas para o desempenho econômico em 2020.
Sobre os desafios internos, Tomáz Leal pontuou o aumento da dívida bruta do Governo Federal, cuja projeção para este ano já é de 87% do PIB, o déficit previdenciário e a situação fiscal dos municípios. Ainda sobre a questão interna, pontuou que o indicador de incerteza econômica voltou a subir neste segundo trimestre, devido aos ruídos políticos em torno do atual governo, o que diminui as expectativas para o PIB.
Segundo o mapa de riscos apresentado, o principal risco à economia é a não aprovação da Reforma da Previdência, impactando diretamente as contas públicas do governo federal e dos entes subnacionais. Confiança e maior participação do setor privado também dependem da aprovação. Há necessidade de uma continuidade da agenda de reformas estruturais, em especial a tributária, para também influenciarem uma melhora do ambiente de negócios. Deve-se ter especial atenção quanto a política de preços da Petrobras e a insatisfação de caminhoneiros, pois não está descartada a possibilidade de nova greve, o que pode causar impacto direto sobre inflação, atividade e confiança. Outra preocupação pontuada por Tomaz Leal é a demanda desaquecida, que gera elevada capacidade ociosa nos fatores de produção.
Sobre o Rio de Janeiro, Tomaz Leal comentou que apesar do desemprego elevado, o Estado tem perspectivas positivas para seu PIB com setor de óleo e gás. Abrindo os dados previdenciários do Estado do Rio de Janeiro, mostrou que o déficit, em 2017, de R$ 10,6 bilhões, representa para o contribuinte o custo de R$ 663 por ano.
Realizando uma projeção em caso de aprovação da Reforma da Previdência, Tomáz Leal conjecturou uma retomada dos investimentos a partir de 2023, com aporte de mais R$ 655 bilhões de investimentos públicos e R$ 729 bilhões de investimentos privados.
Com isso, em 10 anos, seria possível: a conclusão de 4.669 obras paralisadas em todo o país; apoiar o acesso a creche a pelo menos 50 das crianças de 0 a 3 anos; dar oportunidade de estudo a todas as crianças de 4 a 5 anos; prover atenção básica de saúde para a população, 25% não tem acesso; suprir o déficit no sistema prisional brasileiro, a taxa de ocupação está o dobro da capacidade; garantir abastecimento de água para mais de 30 milhões de habitantes; garantir a coleta e tratamento de esgoto para mais de 58 milhões de habitantes; a construção de cerca de 2,5 milhões de novas habitações.
Após sua exposição, o economista Tomaz Leal abriu a palavra aos presentes, onde gerou-se um frutuoso debate e uma profícua troca de ideias entre todos os presentes.