Foram realizadas na sede do Siquirj, no último dia 12 de abril, duas palestras: O Custo da Energia Elétrica no Estado do Rio de Janeiro, por Ana Thereza Costa, assessora do Conselho Empresarial de Energia Elétrica da Firjan, e Alternativas Tecnológicas e práticas de gestão para a economia de energia, por Luiz Eduardo Uberti São Thiago, coordenador de Gestão Ambiental do Instituto Senai de Tecnologia Ambiental.
Abrindo o evento, Isaac Plachta, presidente do Siquirj, deu as boas-vindas aos presentes, agradeceu a presença dos palestrantes, enalteceu como de importância fundamental os temas a serem debatidos e passou a palavra para Ana Thereza.
A economista iniciou sua palestra comentando que equívocos na política energética, advindas da Medida Provisória nº 579 de 2012, levaram ao crescimento das tarifas de energia no Brasil e no Rio de Janeiro. A política, a regulação e a governança do setor não foram capazes de atrair investimentos, preservar a qualidade da energia e garantir a modicidade tarifária. Nos últimos dez anos, o custo da energia para a indústria brasileira praticamente dobrou.
Sobre o Rio de Janeiro, informou que o maior aumento derivou dos fatores nacionais, em conjunto com a majoração tributária (LC 61/2015 – FECP 2% para 4%) e aumento das perdas comerciais (inadimplência e insegurança). Sendo assim, o custo da energia para a indústria fluminense mais que dobrou, nos últimos dez anos. Ana Thereza disse ainda que a questão tributária é uma das principais responsáveis pela perda de competitividade da tarifa de energia elétrica no Rio de Janeiro. O ICMS chega a 32% nas faixas de consumo mais elevadas. Somado aos tributos federais, esse valor alcança 38%.
Pontuou que o Rio de Janeiro tem a maior carga tributária sobre a energia para a indústria, sendo superior em 14% a São Paulo, por exemplo, bem como possui o maior custo médio da energia elétrica para a indústria, sendo 47,5% superior à média nacional.
Concluiu dizendo que a Firjan envia contribuições para a construção do novo marco regulatório do setor. Quatro grande pleitos foram aceitos e entraram na minuta de projeto de lei que esta sendo elaborado. Solicitou à Aneel que reveja a utilização do método da base de remuneração do ativos – Valor Novo de Reposição (VNR) e que fiscalize e forneça maior publicidade a base incremental de ativos das distribuidoras. Com as distribuidoras de energia, a Firjan realiza trabalho conjunto para ampliação saudável do mercado livre, visando segurança pública e minimizar perdas comerciais. Passou a palavra ao engenheiro Ricardo Bicudo, do Instituto Senai.
Bicudo iniciou sua palestra mostrando que o problema da eficiência energética na Indústria não está, como se pensa, no uso de tecnologias mais novas, mais baratas, mas no uso que se faz de tais tecnologias, na busca de alternativas. Pontuou que o Instituto visa apoiar a empresa na melhoraria do rendimento no uso da energia, reduzindo o seu consumo ou aumentando a sua produtividade através de boas práticas e tecnologias mais eficientes buscando o melhor aproveitamento energético dos sistemas.
Comentou que o Instituto Senai de Tecnologia realiza Diagnósticos Energéticos, com o objetivo de reduzir o consumo de energia sem afetar a produtividade, implicando diretamente no aumento da lucratividade de um produto pois faz parte dos custos variáveis do processo. Com o resultado, se realiza posterior análise e avaliação econômica. Dos 79 estudos de caso realizados, a maioria deles, 37% dos casos apontam para problemas no arranjo da iluminação na indústria. Informou que em média, os estudos consomem R$ 55 mil, gerando economia financeira de mais de R$ 4 milhões, através de um investimento médio de R$ 120 mil, com retorno em 3 anos. Colocou seus serviços à disposição de todos.
As palestras geraram intenso debate entre os participantes e as apresentações encontram-se disponíveis na Área do Associado, no site do Siquirj.