De acordo com levantamento preliminar da Abiquim, a taxa de utilização da capacidade instalada da indústria química do Brasil ficou em 76% nos dois primeiros meses de 2016, três pontos abaixo daquela registrada em igual período do ano passado. Esse ritmo de operação representa uma ociosidade considerada alta para os padrões mundiais de produção. De acordo com a diretora de Economia e Estatística da Abiquim, Fátima Giovanna Coviello Ferreira, a situação acaba forçando as empresas a realizarem mais paradas para manutenção, o que gera custos adicionais à produção. “As plantas deveriam estar trabalhando entre 87% e 90%. Todos os grupos de produtos analisados apresentam espaço para elevar a produção. Uma das características principais da indústria química de base é a necessidade de operação da produção em regime de processo contínuo e esse nível de ocupação baixo acaba trazendo receio de possíveis fechamentos de unidades”, afirma Fátima Giovanna.
Paralelamente, os principais índices do segmento de produtos químicos de uso industrial mostram que, em termos de volume, o ano iniciou com resultados desfavoráveis. Na série histórica, o patamar médio do primeiro bimestre de 2016 é o segundo pior dos últimos dez anos, só ficando abaixo do resultado verificado em igual período de 2009. No acumulado do primeiro bimestre, a produção recuou 1,69% sobre igual período do ano passado, enquanto as vendas internas tiveram declínio de 6,03% em igual comparação. O consumo aparente nacional, que mede a demanda interna, apresentou retração de 5,9% nos dois primeiros meses do ano, em linha com os resultados dos principais indicadores de atividade industrial nacional. Vale esclarecer, que o recuo da demanda é considerado um dos mais expressivos dos últimos 25 anos de análise da entidade.
Para a diretora da Abiquim, as perspectivas não são animadoras para os próximos meses. “A economia em recessão puxa mais intensamente a atividade do setor para baixo do que para cima nos momentos de crescimento”, ressalta. Nesse contexto, observando a importância de uma análise mais efetiva sobre a questão da produtividade e como ela impacta nos diferentes negócios, a Abiquim levantou esse dado referente ao setor a partir deste mês, concluindo que o índice de produtividade caiu, em média, 0,3% ao ano entre 2007 e 2015. Tal fato decorre do efeito combinado do aumento do pessoal alocado na atividade produtiva sem a contrapartida do aumento físico da produção. Enquanto o pessoal ocupado aumentou 0,5% ao ano nesse período, a produção cresceu 0,2% ao ano.
De acordo com análise da diretora, quanto maior o nível de utilização da capacidade instalada, melhor e maior será o nível de produtividade, especialmente em razão de a indústria química trabalhar em processo contínuo e não ser mão de obra intensiva. “Em tempos de crise, o recuo na variável pessoal ocupado não ocorre na mesma proporção da desaceleração da produção, enquanto o contrário também é válido. Neste caso, houve um aumento relativo do custo da força de trabalho em relação aos custos totais das empresas com a produção”, conclui Fátima Giovanna.

Fonte: ABIQUIM