A crise econômica e paradas para manutenção em fábricas, programadas ou não, em praticamente todos os grandes produtores levaram a taxa de ocupação da indústria de cloro-soda no Brasil para níveis mais de 10 pontos percentuais abaixo da média histórica de 87% nos cinco primeiros meses deste ano.
Com a operação normalizada das unidades, porém, a expectativa é de recuperação no uso da capacidade ainda em 2016, de acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Cloro-Álcalis e Derivados (Abiclor), Alexandre de Castro.
De janeiro a maio, a taxa de utilização da capacidade instalada na indústria de cloro-soda ficou em 76,6%, comparável a 82% no mesmo intervalo em 2015. O nível atual, conforme o executivo, reflete mais os problemas operacionais enfrentados por fábricas do que a retração na demanda na esteira do enfraquecimento da economia doméstica – o cloro e a soda são produtos intermediários de produção, usados em outros 16 setores.
“Até maio, alguns problemas operacionais fizeram com que as taxas de operação fossem menores. Se as unidades operarem bem depois das paradas, essa diferença deve diminuir até o fim do ano”, disse. São sócios produtores da Abiclor as empresas Braskem, Canexus, Unipar Carbocloro, Dow, Produquímica, Katrium e Solvay Indupa.
Assim, do ponto de vista operacional, a perspectiva é a de que o segundo semestre seja melhor do que os seis primeiros meses do ano para a indústria de cloro-soda. Sob a ótica de mercado, porém, ainda há muitas incertezas. “2016 ainda deve ser de queda na produção”, afirmou. Novos investimentos dependerão fundamentalmente da retomada do consumo e, em teoria, sairiam do papel com o mercado em expansão e taxas de operação ao redor de 90% ou 92%.
De janeiro a maio, a produção de cloro caiu 6% no acumulado dos cinco meses, para 484,3 mil toneladas, enquanto a de soda cáustica, que ocorre simultaneamente, cedeu 6,3% a 531,7 mil toneladas, segundo a Abiclor.
De acordo com Castro, a demanda por soda tem se comportado de maneira “relativamente estável” apesar da crise econômica. E, para garantir a produção dos volumes demandados do insumo, a indústria ampliou as exportações de produtos derivados de cloro, como PVC e poliuretano (PU), que tradicionalmente são comercializados no mercado doméstico.
“Para cumprir os compromissos em soda, continuamos a produzir a mesma quantidade de derivados de cloro e ampliamos a exportação”, explicou Castro, que também é diretor comercial de vinílicos e responsável pelas áreas comerciais de cloro-soda e de PVC da Braskem.
De janeiro a maio, o uso cativo (pela própria indústria) de cloro recuou 4,3%, 425,9 mil toneladas, enquanto as vendas totais caíram 14%, para 59,4 mil toneladas. O consumo aparente recuou na mesma proporção do volume produzido, 6%, para 486,4 mil toneladas.
Em soda cáustica, as vendas totais tiveram queda de 9,6%, para 456,2 mil toneladas, enquanto o uso cativo recuou 2,2%, a 57,2 mil toneladas. O consumo aparente, por sua vez, caiu 13,7%, para 875,8 mil toneladas, pressionado pela baixa de 22,9% nas importações, que totalizaram 350,8 mil toneladas nos cinco meses.

Fonte: Valor Econômico