Mais que uma tendência, o químico norte-americano John Warner mostrou para uma plateia atenta como a Química Verde é a “verdadeira sustentabilidade”. Warner é um dos fundadores dos 12 princípios da Química Verde, junto com Paul Anastas. A área une ciência, criatividade e inovação para desenvolver novos produtos e serviços.

A palestra “Química Verde: Criando um Futuro Sustentável” foi realizada na Casa Firjan, em 22/02. Na ocasião, foi anunciada a criação do Comitê Científico Consultivo do Instituto SENAI de Inovação em Química Verde (ISI – QV). O evento, aberto ao público, encerrou a semana do workshop de imersão sobre o assunto para 30 pessoas da academia, indústria e governo, ministrado pelo próprio Warner e pela professora da Universidade de Yale, Karolina Melllor.

O workshop faz parte da terceira etapa de um projeto conduzido pelo ISI-QV, a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) e o Centro de Química Verde e Engenharia Verde da Universidade de Yale. O objetivo é disseminar o potencial da Química Verde, com desenvolvimento de tecnologias, estudos de caso – como o projeto da Braskem para produção de plástico verde – e sensibilização das universidades para que o tema seja inserido na grade curricular de cursos como química e engenharia química.

Este último tópico conta com um compromisso, já assinado por mais de 50 instituições de ensino do mundo. No Brasil a primeira foi a Universidade Estadual Paulista (Unesp). A iniciativa é trabalhada por John Warner, por meio da sua organização Beyond Benign. “Criamos um compromisso da química verde para que nenhum aluno seja graduado sem saber os princípios da toxicologia”, contou.

Warner detalhou a equação para essa ciência, considerando que o perigo dos produtos químicos é igual a sua exposição a eles. “Para controlar os riscos é preciso controlar a exposição, usando a química verde”. Segundo o especialista, a química verde se baseia em 12 princípios: Prevenção, Economia Atômica, Sínteses com Reagentes de Menor Toxicidade, Desenvolvimento de Compostos Seguros, Diminuição de Solventes e Auxiliares, Eficiência Energética, Uso de Matéria-Prima Renovável, Redução do uso de derivados, Catálise, Desenvolvimento de Compostos Degradáveis, Análise em Tempo Real para a Prevenção da Poluição, Química Segura para a Prevenção de Acidentes. No final da palestra, Warner recebeu uma homenagem de distinto mentor em química verde.

Oportunidades para as indústrias

Também presente, Roberta Roesler, gerente de Pesquisa Avançada em Biotecnologia da Natura, disse que a companhia já tem como princípio de inovação usar a Química Verde alinhada à missão de criar impacto positivo na sociedade e em todas as relações. “A química verde é uma ferramenta que nos possibilita fazer isso”, afirmou. Para ela, as indústrias devem buscar conhecimentos para saber quais são as formas alternativas de gerar materiais, químicos renováveis ou bens de consumo impactando menos.

Roberta destacou a importância do tripé da sustentabilidade, em que o econômico é relevante, mas é preciso olhar também o ambiental e o social. “Na Natura temos o terceiro pilar que é o social, com uma série de metas. Esse tripé traz muito valor para a empresa. A princípio pode demorar um pouco para enxergar o valor, mas ele vem ao longo do tempo”, frisou.

Yuki Kabe, especialista de Desenvolvimento Sustentável da Braskem, comentou sobre os questionamentos da sociedade em relação à indústria química, especialmente a de plástico. “Acho que a maioria das pessoas compreende os benefícios que o plástico pode fazer na sociedade moderna, mas em algum momento abusamos desse material e não tivemos uma boa relação quando ele se torna resíduo”, reconheceu.

Segundo Kabe, a segurança deve ser uma preocupação das indústrias. “Os processos da química verde são muito mais seguros e a busca pela segurança, tanto nos processos quanto de produtos, deve ser uma preocupação continua de qualquer indústria”, ressaltou.

Antonio Fidalgo, pesquisador-chefe do ISI em Química Verde, destacou como a ciência relacionada ao meio ambiente pode ser mais econômica e eficiente para as indústrias. “Isso ou é custo evitado ou são melhores produtos e processos de transformação mais eficientes”, pontuou. Fidalgo lembrou como o instituto pode apoiar os empresários fluminenses: “A ideia é fazer ciência aplicada para a indústria com viés sustentável”.

A arte da química verde

No Comitê Científico Consultivo do ISI, a química verde será discutida sob o ponto de vista de suas tendências, aplicações industriais e direcionamento das linhas de pesquisa do instituto. Presidido por Pedro Wongtschowski, o Comitê se reunirá anualmente e contará com 18 integrantes da academia, indústria e governo.

Alexandre dos Reis, diretor da Firjan SENAI SESI e Firjan IEL, destacou a importância do grupo. “Essa fusão de indústria, academia e governo é garantia de sucesso. Queremos influenciar para que o tema faça parte da grade curricular das universidades”, destacou, lembrando o papel da Firjan pela mudança do modelo mental dos empresários fluminenses sobre a questão do meio ambiente e de como a Química Verde é o meio natural para isso.

Fonte: Firjan