Nos últimos dez anos, a indústria perdeu quase sete pontos percentuais de participação no PIB. Ao longo dessa década, cresceram as pressões dos empresários e de parte da academia por medidas de política industrial para devolver a competitividade do setor. O novo patamar de câmbio, defenderam economistas reunidos ontem pela Fiesp, não altera essa necessidade. Pelo contrário. O câmbio atual, dizem, cria novas oportunidades e prioridades.

David Kupfer (UFRJ/BNDES) diz que a percepção da necessidade da política industrial está se tornando consensual. Ele lembra, porém, que é preciso primeiro “arrumar a casa”, o que passa pelo câmbio e pela questão fiscal. Em termos mais concretos ele diz que a vez. Segundo ele, o Brasil pode “ganhar espaço se arrumar a estrutura tarifária e a estrutura de proteção da indústria”. O melhor caminho, segundo diferentes economistas presentes ao debate, é proteger mais os insumos e liberar mais os produtos de alto valor agregado.
Kupfer acredita que determinados resultados precisam ser repensados. A inovação, diz ele, não está somente no chão de fábrica, mas também na pré e pós-produção, que em geral são serviços. Mariano Laplane, presidente do CGEE, reconhece que as medidas atuais de política industrial não são mais suficientes. Esses instrumentos, diz, foram lançados para reparar os efeitos da crise externa e precisam de revisão.
Fonte: Valor